Noticia regional

Caetité-BA: Equipe de jornalismo da TV Record realiza reportagem sobre o alto número de casos de câncer na região.

By Outubro 21, 2019 No Comments

Fonte: Blog macaubense life

Conforme organizações comunitárias locais, no entorno da mina a população convive com problemas graves ligados à mineração do material radioativo.

Uma equipe do núcleo investigativo do jornalismo da TV Record de São Paulo, apura a relação entre a mineração de urânio e o crescente número de novos casos de câncer identificados na região de Caetité e Lagoa Real. 
Desde o dia 08 deste mês, a equipe de jornalismo realiza uma série de entrevistas com moradores de diversas comunidades no entorno da usina das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), onde está em operação a única mina de urânio da América Latina. A reportagem deve ir ao ar nos próximos dias e ainda não há definição se será exibida no Jornal da Record ou no Domingo Espetacular. “Não há como afirmar que o crescente número de casos de câncer na região tenha ligação direta com a questão da mineração e produção de urânio, mas, conforme as pesquisas que realizamos, e os depoimentos que colhemos, não têm como negar que o câncer tem um comportamento diferente nessa região.
” Disse o jornalista Fabio Menegatti à reportagem do Site Sudoeste Bahia. Polêmica: Conforme organizações comunitárias locais, no entorno da mina a população convive com problemas graves ligados à mineração do material radioativo. Além disso, autoridades denunciam casos de câncer na população local provocados pelo contato com a radiação e danos ainda pouco conhecidos ao meio ambiente. 
De acordo com um relatório da Secretaria de Saúde da Bahia, entre 2000 e 2009, houve pelo menos cinco acidentes e recentemente foi detectada a contaminação da água de poços com alto teorelatório da Secretaria acidentes e recentemente foi detectada a contaminação da água de poços com alto teor do material radioativo. “Há uma incidência muito alta [de câncer] em Caetité, alguns [tipos] possivelmente ligados à mineração de urânio – como câncer de tireóide e de pulmão, mais prováveis graças à emissão de gases tóxicos na mina”, disse Letícia Nobre, diretora de Vigilância da Saúde do Trabalhador do governo da Bahia (Divast) em recente entrevista à BBC News Brasil. 
Dados da Diretoria de Informações em Saúde da Bahia assinalam que na região os casos de câncer são a segunda causa de mortes. 
O levantamento aponta para o crescente número de novos casos de câncer identificados na região, sendo superior ao número de casos de toda a Bahia. A INB sempre negou haver qualquer tipo de contaminação na região, seja por meio natural ou em decorrência de suas atividades. A empresa sempre garantiu que, apesar de haver presença de material radioativo na água da região, está sempre ficou abaixo do limite aceito pelos órgãos de controle.
 A INB afirma ainda que desenvolve permanentemente programas de monitoramento ambiental e de proteção radiológica para assegurar a qualidade do meio ambiente e preservar a saúde de seus empregados e da população das proximidades. A unidade de beneficiamento e mineração em Caetité tem 99 mil toneladas de urânio em reservas. Entre 2000 e 2014 a INB extraiu 3.750 toneladas de minério de urânio, altamente radioativo, da mina de Cachoeira. Paralisada há cinco anos, o governo tenta retomar em 2020 a produção nacional de urânio.
 O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, trata o assunto como prioridade da pasta. Dono da sexta maior reserva mundial, o Brasil vem gastando cerca de R$ 100 milhões por ano com a importação do minério para abastecer as usinas nucleares de Angra. Falta de estrutura: Caetité e região não dispõem hoje de nenhuma estrutura para tratamentos de câncer. Pacientes que necessitem de tratamento precisam buscar apoio em Vitória da Conquista, Itabuna, Salvador ou até mesmo São Paulo. 
Hospital do câncer: Na última sexta-feira (11/10), o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde (Sesab), assinou ordem de serviço para o início das obras do Hospital do Câncer em Caetité. A unidade terá 78 leitos, sendo 10 de terapia intensiva (UTI) e prevê que seja realizado o diagnóstico de tipos de câncer mais prevalentes, como mama, útero, próstata, estômago e intestino. O local deverá oferecer internação hospitalar e pronto atendimento a pacientes, além de realizar cirurgias nessas especialidades e tratamentos por quimioterapia. A radioterapia não está contemplada.

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